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Para a Polícia Civil, a motivação do homicídio era patrimonial. Amanda queria acesso rápida a sua herança e ao patrimônio do pai, avaliado em cerca de 2 milhões de reais. O inquérito foi concluído em agosto de 2025. Amanda e seus cúmplices foram presos.
Para entender a motivação, durante os interrogatórios, a polícia perguntou se ela sofria maus-tratos do pai. Amanda afirmou que o pai nunca havia cometido qualquer violência contra ela e que ele realmente a amava. Era um ótimo pai.
Em troca, Amanda teria prometido pagar R$50 mil. Amanda admitiu planejou o crime, buscou os executores, os escondeu no banco traseiro do carro e os levou até a sua casa, onde o crime foi cometido.
A partir da confissão e da análise dos celulares apreendidos, a Polícia Civil concluiu que o assassinato vinha sendo planejado havia cerca de dois meses.
Durante aproximadamente uma hora, Amanda foi interrogada na delegacia e repetiu exatamente a mesma versão apresentada desde a noite do crime. Confrontada com as evidências de que mentia, ela finalmente confessou ter participado do plano para matar o próprio pai.
Na manhã de 25 de junho, diante de todas essas inconsistências, o delegado foi até a casa da família e pediu que Amanda comparecesse à delegacia naquela tarde para prestar novos esclarecimentos.
Investigando a vida da jovem de 19 anos, a polícia descobriu que dias antes do crime, Amanda levou uma surra da esposa do homem com quem se relacionando. A mulher havia descoberto a traição do marido e foi pra cima de Amanda.
Poucas horas após o crime, o carro levado pelos criminosos foi encontrado abandonado às margens da BR-101, intacto. Para os investigadores, aquele detalhe também enfraquecia a hipótese de um latrocínio.
Mas as gravações mostraram um cenário completamente diferente. Às 23h41, apenas um veículo entrou na casa: justamente o carro conduzido por Amanda.
Também declarou que ela e o pai eram inseparáveis, que ele era seu melhor amigo e que não descansaria enquanto a justiça não fosse feita. Enquanto isso, a equipe da 14ª Delegacia de Homicídios, coordenada pelo delegado Rodrigo Belo, iniciava a reconstrução dos acontecimentos.
Repetiu a mesma narrativa, afirmou acreditar que o pai poderia estar sendo ameaçado por causa da insistência com que ligava para ela naquela noite e explicou que havia deixado o portão da casa aberto porque aguardava a chegada da mãe.
A Polícia Civil passou a tratar inicialmente o caso como um possível latrocínio. Dois dias depois, no dia 22 de junho, durante o velório, Amanda concedeu entrevistas à imprensa.
Segundo a versão apresentada por Amanda, poucos minutos depois três homens armados e encapuzados invadiram a casa, renderam a jovem, trancaram-na em seu quarto e seguiram até o cômodo onde Ayres dormia. Em seguida, ela ouviu diversos disparos.
Na sexta-feira, 20 de junho de 2025, Amanda passou parte da noite em um salão de beleza localizado a poucos minutos de casa. Enquanto permanecia no local, Ayres começou a telefonar insistentemente, enviando mensagens e fazendo chamadas de vídeo para saber quando a filha voltaria.
Segundo familiares e amigos, era um homem dedicado à família e extremamente próximo de Amanda. Ele fazia questão de acompanhar a filha em tudo o que podia e investia em seu futuro.
Ayres Botrel era natural de Lavras (MG), mas construiu a vida em Pernambuco. Caminhoneiro por décadas, conquistou um patrimônio considerável e vivia no bairro Enseada dos Corais, com a esposa e a filha única, Amanda Chagas Botrel, de 19 anos.
CASO BOTREL: Em junho de 2025, o caminhoneiro Ayres Botrel, de 60 anos, foi assassinado dentro de casa, em Cabo de Santo Agostinho (PE). A princípio, o crime parecia um latrocínio. Mas a investigação revelou uma trama muito mais cruel. Segue o fio 🧵
Enquanto isso, o assassinato das duas crianças permanece sem solução. Os corpos foram sepultados no Cemitério Municipal de Novo Hamburgo, sem uma lápide, apenas com a denominação de “ignorado”, registrados nas gavetas de números 115/17 e 116/17.
Depois de 43 dias preso, Silvio Fernandes deixou a Penitenciária Estadual do Jacuí, mas encontrou sua reputação completamente destruída. Assim como os demais acusados, precisou tentar reconstruir a vida após ser publicamente apontado como participante de um crime que nunca cometeu.
Pressionado pelos investigadores, acabou confessando que tudo era mentira e revelou que havia sido orientado por Paulo Sérgio Lehmen, proprietário de um ferro-velho onde trabalhava, a mentir. A partir daí, outras testemunhas também admitiram terem mentido.
Objetos apresentados como instrumentos do ritual jamais haviam passado por perícia, buscas no templo não encontraram qualquer vestígio humano e uma escavação realizada após nova autorização judicial revelou apenas ossadas e sangue de origem animal.
A cúpula da instituição interrompeu as férias do delegado Baggio e determinou que ele reassumisse imediatamente o comando das investigações. Ao revisar o inquérito, Baggio encontrou uma série de inconsistências.
Questionado pelos jornalistas sobre as provas, respondeu que as informações vinham de um “profeta de Deus” e não apresentou evidências materiais capazes de sustentar sua narrativa. As declarações causaram desconforto imediato entre jornalistas e integrantes da Polícia Civil.
Em 8 de janeiro de 2018, durante uma coletiva de imprensa, o delegado Fermino afirmou que havia solucionado o caso graças a uma revelação divina recebida por dois profetas e declarou que a investigação recebeu o nome de Operação Revelação por esse motivo.
Entre os presos estava Silvio, que recebeu voz de prisão do delegado Fermino, que, ao detê-lo, declarou: “Eu sou Deus e vim prender Satanás”.
As declarações ganharam enorme repercussão na imprensa. Manchetes passaram dias descrevendo um suposto ritual satânico, afirmando que os envolvidos teriam consumido carne e sangue das vítimas e enterrado suas cabeças no templo.
Ele teria sido contratado pelos empresários Jair da Silva e Paulo Ademir Norbert da Silva, que buscavam prosperidade. De acordo com Fermino, os empresários teriam pago R$25 mil pelo ritual, as crianças teriam sido trazidas da Argentina e sacrificadas em homenagem ao demônio Moloque.
Em apenas dez dias, Fermino afirmou ter solucionado completamente o caso. Segundo Fermino, as crianças teriam sido assassinadas durante um ritual satânico comandado por Silvio Fernandes Rodrigues, fundador do Templo de Lúcifer, em Gravataí.
Sem a identificação das vítimas, a investigação continuava sem suspeitos ou motivação. Após meses sem resultados, Rogério Baggio entrou de férias em dezembro de 2017 e foi substituído pelo delegado Moacir Fermino Bernardo.
A Polícia Civil foi acionada e o delegado Rogério Baggio Berbicz, recém-empossado como titular da Delegacia de Homicídios de Novo Hamburgo, assumiu imediatamente as investigações. A perícia confirmou que as vítimas eram um menino e uma menina, com idade estimada entre 8 e 12 anos