Fábio Vasconcellos
@fvas
Cientista político Pesquisador de pós-doc INCT Redem/UFPR Jornalista de Dados Professor associado da UERJ
6/7 📉 A polarização enrijeceu o voto? A velocidade com que os municípios trocam de lado despencou em 2 décadas. Na transição 2002-2006, a taxa de pêndulo foi de 40,4%. De 2018 para 2022, apenas 7,6% (423 municípios) mudaram de lado. As bacias eleitorais estão menos fluidas.
5/7 ⚖️ A grande zona intermediária: A análise tb identificou cidades com dominância, mas que já oscilaram uma vez: Inclinação ao PT: 1.409 municípios. Inclinação à Direita: 1.028 municípios. Este último grupo concentra 47,5 milhões de eleitores (30% do total nacional).
3/7 🔄 O tamanho da volatilidade: Entre os 1.091 municípios pêndulo: 642 viraram de lado 2 vezes; 384 viraram 3 vezes; 59 viraram 4 vezes. Um dado curioso: 6 cidades no país trocaram de lado em todas as eleições (como Porto Walter/AC, Cambuci/RJ e S. José do Norte/RS)
STF reabilitou Michelle Com a decisão de Moraes de proibir Flavio Bolsonaro de manter contato com Jair Bolsonaro, o STF recolocou Michelle Bolsonaro, no jogo. É com ela e a partir dela que Flavio e o PL dependem para receber as orientações de Bolsonaro. Análise para o Matinal, do Canal Amado Mundo
4/9 A inflexão estrutural ocorreu no pleito de 2018. O eleitorado masculino convergiu massivamente para a candidatura de direita. As mulheres não acompanharam o movimento, consolidando-se como a principal base de sustentação progressista no país (o hiato saltou para 19 p.p.). 🔄
3/9 Essa divergência não seria uma flutuação aleatória. Trata-se de um aprofundamento histórico. Até 2014, o comportamento eleitoral caminhava para a convergência: o hiato caiu para apenas 3 p.p. e Dilma venceu os candidatos da direita em ambos os segmentos demográficos. 📉
5/7 👨💼 A resposta está no fluxo masculino. No mesmo período (22-26), a filiação de homens ao PL foi muito mais intensa: um saldo de 122 mil novos filiados, representando um crescimento de 29% na base masculina. O fator atração da marca principal do partido falou mais alto. 🗣️
4/7 📉 O declínio proporcional: com um recrutamento tão alto de mulheres, era esperado que a participação feminina interna no PL crescesse, certo? Não foi o que aconteceu. A proporção de mulheres no partido caiu de 45% (2022) para 43% (2026). Como isso é possível? 🤔
Periodo de Michelle no PL teve mais filiações de homens do que de mulheres 1/7 🚨 A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro dominou o debate após as críticas a Flávio Bolsonaro. Há um temor no PL sobre os impactos do distanciamento de Michelle. Mas qual é o peso dela na legenda? 🧶
6/7 🔄 A narrativa de "derrota contratada" esbarra nos fatos. Em um cenário muito mais adverso, o incumbente de 2022 expandiu sua base e foi competitivo. Eleição não é uma escolha isolada, é um processo relacional: o eleitor pondera os riscos e custos da substituição.
5/7 ⚖️ O "saldo de avaliação" (positiva menos negativa) reforça essa diferença. Embora ambos registrem saldos negativos no período, Bolsonaro fechou maio de 2022 com -21 pontos. No momento, o saldo de Lula é significativamente menos severo, na casa dos -5 pontos.
4/7 📉 Isso significa que o nível de desaprovação de Bolsonaro em maio de 2022 era 7 pontos percentuais maior do que a desaprovação atual de Lula. Vale lembrar: mesmo com essa rejeição mais alta, Bolsonaro perdeu o pleito por uma margem estreita de apenas 1,8 pp.
3/7 📈 Olhando para a avaliação negativa: entre julho de 2021 e maio de 2022, a rejeição de Bolsonaro oscilou de 45%, bateu em 56% e recuou para 46% em maio. Lula projeta um teto de descontentamento menor: partiu de 40% em julho de 2025 e hoje está em 39%.
Aqui @jaironicolau.bsky.social expressa a mesma hipótese que tenho comentado e escrito, como no link abaixo: A importação automática dos pressuspostos do termo "polarização" limitou demais a nossa compreensão do fenômeno por aqui. redem.tec.br/o-debate-sob...
5️⃣/7 - Em 2026, Lula mantém presença estável, mas o campo da direita ainda enfrenta dificuldades de transferência política. Após ser anunciado, Flávio Bolsonaro cresce, mas a definição segue mais nebulosa para o eleitor médio. 🌫️
4️⃣/7 - Em 2022, Lula e Bolsonaro já dominavam a lembrança espontânea muitos meses antes da campanha oficial. Somados, frequentemente ultrapassavam 40% das preferências.
3️⃣/7 - Isso desafia uma hipótese clássica dos estudos eleitorais. Em geral, quanto maior a circulação de informação política, maior tende a ser a cristalização precoce do voto. 📺📱Mas 2026 mostra outra dinâmica: muita mobilização política, menos decisão eleitoral.
2️⃣/7 - Entre agosto de 21 e maio de 22, os indecisos na espontânea variavam entre 45% e 58%. No ciclo atual, entre 25 e 26, os números vão de 57% a 72%. Ou seja: mesmo com a disputa ocupando o noticiário diariamente, há menos definição eleitoral do que quatro anos atrás. 🤔
Quando somamos todas as regiões e as proporções apontadas pela Nexus, temos uma diferença de 1,7 milhão de votos pra Lula, total menor que em 2022, quando venceu por 2,13 milhões de diferença sobre Bolsonaro +
A análise mostra essa distribuição do gráfico. Lula abriria 21,8 milhões no Nordeste contra 12,8 milhões de Flavio. Dif de 9 milhões. No Sudeste, Flavio teria hj 26,8 milhões contra 24,8 milhões. Dif de 2 milhões pra Flavio. +
Publiquei um pequeno artigo na FolhaSP onde discuto a relação entre IA, ambiente digital e os posts de Trump no domínio da atenção pública
7/9📊 Apesar disso, Lula 3 opera acima da projeção matemática do modelo pós-2015. Outros fatores políticos ajudam a descolar levemente do piso. Porém, o presidente segue bem longe do teto histórico da regra pré-2015. É um novo patamar político. 🧮
5/9💼 E o desemprego? A análise mostra uma assimetria cruel para os governantes: o eleitor pune severamente a inflação, mas não recompensa o baixo desemprego. Hoje, a manutenção do emprego é vista como obrigação do governo, não como motivo para aplausos. 🤷♂️
4/9🛒 A partir de 2015, o controle de preços assumiu o protagonismo isolado como gatilho de insatisfação, e a punição passou a ser imediata. Os dados mostram: cada 1% de inflação acumulada em um bimestre derruba cerca de 3,6 pontos de popularidade do presidente em exercício. 💸
3/9💥 Mas janeiro de 2015 (início do 2º governo Dilma) marca o ponto de ruptura. O "piso" histórico de aprovação desabou cerca de 21 pontos percentuais. Essa fratura estrutural inaugurou um período em que o eleitor se tornou hiper-reativo à economia. O contrato social mudou. 📉
7/9⚠️ O que de fato altera a série histórica? Choques institucionais. Apenas dois eventos apresentaram diferença estatística significativa indicando quebra nas médias de aprovação: Impeachment de 2016 (Pré: 56,3% | Pós: 37,8%) Pandemia (Pré: 52,9% | Pós: 44%)
4/9🏛️ No entanto, há variações importantes entre os governantes. Lula II, por exemplo, inverteu a tendência média e ampliou sua aprovação no fim do mandato. Dilma II teve queda aguda. Bolsonaro caiu, mas recuperou força no fim. Temer manteve taxas cronicamente baixas.
3/9📉 O primeiro achado aos olhar os dados agregados é a confirmação do fim da "lua de mel". Em média, a tendência de aprovação é descendente ao longo do mandato presidencial: • 1º ano: 59,4% • Anos intermediários: 51,9% • 4º ano: 45,8%
5/7 No Centro-Oeste, a inadimplência explodiu (+10,3 p.p.) e a rejeição é alta (64,2%). Já no Nordeste, o aumento de dívidas (+8,9 p.p.) superou o Sudeste, mas a região mantém a menor rejeição ao Planalto: apenas 33,6%. 📈