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Pau Cubarsí, zagueiro da seleção espanhola de apenas 19 anos de idade, foi um dos atletas que precisaram apaziguar em público as palavras de péssimo tom do ex-primeiro-ministro Mariano Rajoy.
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É pensando assim que a Espanha pretende eliminar a favorita França. Palavra de basco.
Em entrevista ao site The Athletic em 2024, Jon Ojanguren, professor de gestão esportiva da Universidade de Deusto, definiu: “se um basco te diz que fará algo, ele fará (...) nosso povo não podia trabalhar de forma independente, tinham que trabalhar juntos e lutar todo dia pra sobreviver”.
Só isso não justifica o País Basco ter virado uma espécie de cérebro do futebol espanhol. Mas ajuda a entender a maneira como esse povo enxerga a vida e adapta essa ética de trabalho em diversas áreas, incluindo o futebol.
Somado a isso, foram séculos de perseguição e defesa da própria cultura, atacada desde os romanos até Franco.
Um dos povos mais antigos da Europa, os bascos possuem um senso de identidade muito próprio, forjado pelo isolamento geográfico montanhoso dos Pirineus, e reforçado pelo euskera, idioma próprio que não se parece em nada com nenhum outro.
Do lado francês nessa Copa, pouco se reivindica essa identidade, embora Didier Deschamps, o técnico, seja também um basco.
Entre os destaques da seleção espanhola atual, há bascos como Merino, Oyarzábal, Williams, Unai Simón e até Laporte, nascido na França, mas que manteve o elo com a Espanha - ou melhor, com o País Basco, devido à sua ascendência.
Luis de la Fuente, técnico da seleção, não é basco de nascimento, mas passou no filtro do Athletic Bilbao, clube onde atuam apenas bascos, porque seu pai era da região.
Todos eles são de Gipuzkoa, província de 700 mil habitantes dentro da Comunidade Autônoma Basca espanhola, e o sucesso basco no futebol atual não fica só entre treinadores de clubes.
O técnico que levou o Arsenal de volta ao título inglês depois de tanto tempo, Mikel Arteta, é basco. O novo técnico do Liverpool, Andoni Iraola, também. Xabi Alonso, que assumiu o Chelsea, idem. Recém-campeão da Liga Europa com o Aston Villa, Unai Emery é mais um da lista.
Em espanhol, a expressão “palavra de basco” significa um juramento que será cumprido sem falta. A mentalidade associada ao povo basco, que invoca honra e trabalho, ajuda a explicar como essa região na fronteira entre França e Espanha passou a definir o futebol espanhol atual.
Toda Copa do Mundo é a mesma coisa: a seleção francesa começa a ganhar seus jogos e a ir longe, e então as redes sociais começam a destilar racismo, preconceito e ignorância contra os seus principais jogadores, sobretudo aqueles que são negros.
Nessa mudança de ares argentinos, o país é comandado por Javier Milei, que atenta contra o último bastião do futebol local: quer a privatização dos clubes. De Menotti a Messi, foi um longo caminho.
A equipe pertence à família Mas Canosa, historicamente anticomunista, e diferentemente de Menotti, Messi compareceu a um jantar na Casa Branca com Donald Trump, menos de uma semana após o presidente dos EUA lançar uma nova guerra contra o Irã e matar 168 crianças no bombardeio a uma escola.
Em 2023, Messi foi para os EUA, país que receberia o Mundial seguinte. Numa composição inovadora, o acordo que o levou ao Inter Miami envolveu Apple e Adidas pagando parte de seus vencimentos, evidência de um futebol cada vez mais hiperfinanceirizado.
Depois de ganhar tudo que era possível com o Barcelona, Messi se transferiu ao PSG, clube que pertence ao Catar, pouco antes de o país receber a Copa. Acusado de ter um projeto de sportswashing, foi ótimo pro Estado catari coroar um de seus funcionários com a tão sonhada Copa em 2022.
Diferente de Menotti, porém, Messi mantém 110% do seu foco no futebol, raramente abordando outros temas. Suas escolhas de carreira permitem que se projetem ideias sobre a sua neutralidade.
Formado como jogador já na Espanha, lutou por muito tempo pra inclusive se afirmar como argentino, desafiando os céticos, um processo que culminou na conquista da Copa de 2022.
Corta para 2026 e o símbolo maior da seleção argentina atual é Lionel Messi. Como Menotti, é nascido em Rosario. Criatura de sua época, Messi é a personificação dos números, dos recordes, das métricas mais objetivas com as quais se pode medir o futebol.
O título de 1978 foi usado como símbolo da Argentina da ditadura militar, apesar de Menotti (que diz até não ter ido a um jantar de comemoração da conquista por causa disso).
Sempre de cigarro na mão no banco de reservas, Menotti fazia com que sua visão de futebol se fundasse na política, dizendo existir um “futebol de esquerda”, valorizando a magia e o talento, em contraposição a um “futebol de direita”, voltado aos resultados.
Quando a Argentina ganhou sua 1ª Copa, em 1978, era comandada por um técnico filiado ao Partido Comunista, César Menotti.
Após a Noruega vencer e eliminar o Brasil, Erling Haaland, a estrela da companhia, tocou o tambor e conduziu a já tradicional remada viking. Mas para onde remam os vikings? Nos mares da Copa do Mundo, o próximo destino é a Inglaterra - ou seja, o futebol imita a vida.
Já Felipe González se reelegeu, e seu PSOE ainda hoje segue como uma das poucas forças sobreviventes da centro-esquerda europeia.
A partir daí, não apenas a Espanha se sagrou com a fama de “amarelona”, como criou-se a ideia de “la maldición de los cuartos”, que impediu a seleção espanhola de avançar das quartas de final em todos os torneios que disputou - até 2008, mas isso é outra história.
Todo esse sonho se desmanchou, porém, nas quartas de final, diante da Bélgica. A geração de Jean-Marie Pfaff e Enzo Scifo segurou os espanhóis no empate em 1 a 1 e, depois, despachou-os nos pênaltis.
Disseram tratar-se de um erro de um operador, mas houve burburinho sobre a mistura de futebol e política.