Marcelo Sabbatini
@marsabbatini
Tecnologia educacional, educação e divulgação científica. Educador físico (CREF 015825-G/PE) Professor UFPE. IA na Educação:
195 Invisible Man (2003), de Elizabeth Catlett, homenageia o romance de Ralph Ellison, no qual um indivíduo negro metafórico narra sua luta por identidade, diante da recusa de seus vizinhos brancos em reconhecerem sua existência. A obra marcou a luta do movimento pela igualdade racial.
194 Tin Head, Mr Cruikshank (1950), de Eduardo Paolozzi, em vez de celebrar uma pessoa, comemora um dispositivo científico. Escultura moderna afim do início da era tecnológica e do imaginário que levaria ao Pop. Destaca-se pela pele metálica em placas e costuras visíveis, entre o humano e a máquina.
193 Corinthos (1954-5), de Barbara Hepworth. Modernismo da abstração orgânica. Destaca-se pela relação entre cheio e vazio, luz e sombra, superfície e cavidade. Sintetiza a luz e a paisagem gregas e sua arte antiga, e propõe a escultura como espaço a ser percorrido pelo olhar, não apenas contornado.
192 Carlos Gomes (1904-1907), de Rodolfo Bernadelli, representa o maior compositor de ópera brasileiro, autor de "O Guarani" (1870), única ópera latino-americana a conquistar palcos europeus no século XIX. Artista e retratado foram contemporâneos, frequentando os mesmos círculos intelectuais.
191 O Rapto das Sabinas (1581-83), de Giambologna, episódio da fundação de Roma narrado transformado em obra-prima do maneirismo. Sem ponto de vista único, exige que o espectador a contorne em 360 graus. Aborda a beleza pela beleza e a exibição da virtuose, e também o poder e violência.
190 Monumento às Bandeiras (1920-1953), de Victor Brecheret, conjunto monumental modernista que celebra bandeirantes paulistas, desbravadores coloniais do interior brasileiro. Sintetiza influências art déco e indigenismo, criando linguagem escultórica brasileira.
189 Modelo para a Estátua de Afrodite no balé La Chatte (1927), Antoine Pevsner. Escultura construtivista em plástico translúcido, figura feminina reduzida a planos curvos que trocam a massa pela linha e pela luz. Feita para o cenário do balé de Diaghilev, marca a virada do figurativo ao abstrato.
188 Estatueta de Ísis e Hórus (332-30 a.C., Período Ptolomaico), fala da devoção da deusa e seu filho, em iconografia que influenciará representações cristãs da Virgem com o Menino Jesus. A Deusa da maternidade, magia e renascimento. Hórus como filho divinizado no ciclo eterno de renascimento.
Destaca-se pela transmutação de refugo em matéria luminosa e maleável. Evoca as redes de troca entre África, Europa e América, em que o álcool foi moeda do tráfico de escravos. Aborda memória, colonialismo e renascimento.
Máscara Kpeliye'e (meados séc. XIX-XX), artista senufo anônimo. Máscara cerimonial da sociedade Poro da região entre Burkina Faso, Costa do Marfim e Mali. O rosto alongado com bico pontudo representa calau, pássaro sagrado mediador entre mundo terreno e espiritual.
185 The Broncho Buster (1895), de Frederic Remington, cristaliza mitologia da fronteira: cowboy domando cavalo selvagem em explosão de energia cinética. Remington, ilustrador tornado escultor, captura violência controlada do Velho Oeste com realismo dramático e composição espiral ascendente.
184 Another Place (1997), de Antony Gormley, consiste de 100 figuras masculinas nuas moldadas a partir do corpo do artista distribuídas ao longo de 3 km de praia e 1 km mar adentro, todas voltadas para o horizonte. Ficam parcialmente submersas com a maré alta.
183 Safo (c. 1895), de Comte Prosper d'Epinay, representa a poetisa grega, autora de odes líricas sobre amor e desejo. Sentada em atitude meditativa, evoca ato criativo e inspiração contida, mais intelectual do que em êxtase dionisíaco. Reabilita figura femininas como sujeito de biografia.
182 **45°, 90°, 180° / City (1970-2022), de Michael Heizer, pioneiro da Land Art e das esculturas monumentais em espaços abertos. Trabalhou por mais de 50 anos nesta obra, a maior escultura de um único artista já criada, uma cidade no deserto de Nevada, inspirada em arquitetura pré-colombiana.
181 Emblema de São Paulo (1978), de Rubem Valentim, usa repertório estético original fundindo geometria construtivista com simbologia afro-brasileira. "Fulminou a fronteira que separa o popular da alta cultura", segundo crítico, um "Marco Sincrético da Cultura Afro-Brasileira" segundo o criador.
180 Three Standing Figures (1945), utiliza linguagem abstrata orgânica inspirada em formas naturais, arte pré-colombiana e escultura africana. A obra retoma formas mais reconhecidamente humanas após experiência dos abrigos do metrô londrino durante o Blitz (1940-41).
179 Hipopótamo em Pé (c. 1961-1878 a.C., Médio Reino Egípcio), de apelido "William" dado por funcionários do Metropolitan Museum of Art, onde é peça popular e querida do acervo. Animal temido, associado a Seth (deus do caos) e a Taweret (deusa da fertilidade e proteção no parto).
178 Inverno (1787), de Jean-Antoine Houdon, célebre por seus bustos de famosos, substitui o home idoso como alegoria da estação por uma mulher em situação de vulnerabilidade. O acabamento sedoso de curvas, pele e tecido agrega uma dimensão erótica que chocou a sociedade da época.
177 Constructed Head No. 1 (1915), de Naum Gabo, pioneiro do Construtivismo. Uma escultura sem massa: o volume é criado puramente por planos de compensado que se intersectam em três dimensões. Gabo entendia a profundidade como única forma de espaço.
176 Costas/Backs (1976-1980), de Magdalena Abakanowicz, que viveu sob ocupação nazista e regime soviético, articula massa, anonimato e perda de individualidade, evocando campos de concentração, gulags, regimes totalitários, mas também humanidade universal em sua vulnerabilidade compartilhada.
175 Bronze do Artemísio (c. 460 a.C.), recuperado do mar 1928, raro original em bronze da Antiguidade a sobreviver. Alia equilíbrio anatômico à tensão do movimento, condensando o ideal grego de beleza, força e poder divino.
174 Cão de Assiut (séc. I a.C./I d.C.), mescla o naturalismo helenístico à tradição egípcia. Ligado ao culto de Anúbis, deus dos mortos, o animal encarna a mediação entre vivos e além. Ilustra a fusão cultural do Egito tardio, o contato com Roma e a Grécia reconfigurando-se em sincretismo religioso.
173 Espantador de Moscas/Tahiri (c. séc. XVIII-XIX), da cultura das Ilhas Australis. Insígnia de poder político e espiritual dos chefes e sacerdotes, tem função dupla: utilitária (espantar insetos) e cerimonial (emblema de autoridade).
172 Corazón Negro (2016), de Luis Tapia, santero contemporâneo, artista chicano que combina tradição colonial novo-mexicana com linguagem visual atual. Condena escândalos de pedofilia na Igreja Católica, especificamente crimes cometidos contra crianças nos anos 1990 no Novo México.
Função provavelmente votiva, a convenção estilística do período tardio etrusco ainda é debatida. Tornou-se célebre por antecipar em dois milênios a linguagem escultórica de Giacometti, com a obra "primitiva" provincial antecipando angústia existencial moderna
170 A Jovem Tarentina (1871), de Alexandre Schoenewerk, baseada em poema homônimo de André Chénier, evoca figura da tradição grega, Myrto recém-naufragada: corpo feminino nu reclinado, inerte, sua postura evoca sono eterno sem violência explícita, estetizando morte como beleza.
169 Eros sobre um golfinho (cópia romana, sécs. I-II d.C., de original grego do séc. IV-II a.C.), remete ao amor como força que transgride domínios e não conhece fronteiras. e coloca em perspectiva a relação entre potência cósmica e descontração como atributos do divino.
168 Queda dos Anjos Rebeldes (1740), de Agostino Fasolato, obra prodigiosa do barroco tardio veneziano, esculpida em único bloco de mármore branco com 60 figuras de anjos em queda livre a partir de um ápice angélico.