Rapha Cubakowic
@raphacubakowic
Crítico de cinema e tradutor. Marx na cabeça, Brecht no coração. Cinema japonês e soviético. Às vezes falo sobre pintura.
Sang-ho Yeon é um diretor bastante competente quando se trata de manutenção da tensão, seja por meio do suspense ou de constantes blocos de ação. Em ″Colony″ o uso expressivo do corpo dos atores em gestos espasmódicos e convulsivos ajuda a oxigenar um pouco o filme de zumbi… (1/3)
Comendo comida Sul-Coreana cancerígena que me deram de presente enquanto vejo o novo do diretor de "Train to Busan".
Esse fim de semana tem Eisenstein no canal da CPC-Umes com seu primeiro filme sonoro na União Soviética.
Finalmente consegui assistir "The Beach Bum" e terminei toda a filmografia do Korine. Ainda acho que sua fase inicial explorando a violência e territórios marginalizados é bem mais interessante que a guinada para a fase Florida/Crítica do Excesso.
é bem sintomática do momento atual da cultura e da economia. De certa forma, o filme é uma versão mais polida, certinha e conceitualmente abrangente de ″Re-cycle″, de 2006, dos irmãos Pang. (5/5)
A versão cinematográfica de ″Backrooms″ pode não usufruir das liberdades, frescor e criatividade sinistra e nostálgica de sua web série, mas é uma aproximação do universo proposto bastante interessante e aberto o bastante para engendrar uma série de leituras propositivas. (1/5)
″Hot Girl Wanted″ em uma boa estrutura, construída em função do impacto, que primeiro apresenta e humaniza as personagens, em alguns momentos quase acenando para a indústria do pornô, para depois inverter a impressão e entrar com a parte pesada e crítica. (1/3)
″The Furious″, último filme chinês dirigido pelo diretor de ação e coordenador de dublês japonês Kenji Tanigaki, leva a ideia do balé do filme de artes marciais ao seu ponto mais abstrato e surreal, ao ponto de abrir mão da fisicalidade em nome do movimento e da dança… (1/3)
Esse fim de semana no canal da CPC-Umes tem Leonid Gaidai e comédia soviética com um de seus filmes mais famosos.
″All You Need is Kill″, do estreante Kenichiro Akimoto, tem seus melhores momentos nas cenas de ação e a linhagem barroca de ″Tekkonkinkreet″ com amplo uso de cores, anatomia distorcida e caricatural, movimentos expressivos e amplos (aqui evidentes na animação dos trajes) e assim por diante (1/3)
″Tropas Estelares – A Invasão″, do Shinji Aramaki, traz algumas das características do diretor, desenvolvidas em seu trabalho com a animação 3D anterior, como muitos movimentos circulares ao redor dos modelos na direção contrária da ação, produzindo maior senso de movimento… (1/4)
″Asakusa Kid″ é uma adaptação do livro autobiográfico homônimo em que Kitano mais do que narrar seu início de carreira, presta uma homenagem a Senzaburo Fukami, seu mentor, e, nesse sentido, o filme é bem-sucedido. Ou seja, apesar de se concentrar na figura de Kitano e sua formação… (1/3)
″A Tomada da Montanha do Tigre″, do Hark Tsui, estabelece uma moldura realista externa que, assim, abarque e possibilite uma retratação menos concreta e mais fabular do conflito pós-Segunda Guerra que o longa-metragem narra. A partir disso, Tsui toma várias liberdades… (1/3)
Alerta de Filmão. Esse fim de semana, no canal da CPC-Umes, tem o inigualável "Soy Cuba", de Mikhail Kalatozov, o maior cineasta do Realismo Socialista e de sua geração. Com legendas direto do russo.
Melhores filmes vistos pela primeira vez em junho: 1937 - "Pépé le Moko", de Julien Duvivier 1971 - "Oceano", de Folco Quilici 1971 - "N. A Pris les Dés", de Alain Robbe-Grillet 1997 - "Yume no Ginga", de Gakuryū Ishii
″Labyrinth of Dreams″, do Ishii, é um estudo bastante perspicaz dos limites entre a excitação do perigo e o terror da violência iminente. Mas mais interessante do que o desenvolvimento narrativo, bastante cadenciado, e enxuto, é a forma como Ishii enquadra o tempo e a relação das personagens. (1/3)
A melhor parte de "Tuner" é a humanização dos criminosos e o fato de não escalar demais a situação ou a violência a ponto de perder o controle sobre o aspecto mais "realista" e tranquilo da condução dramática do filme. Por outro lado, para um filme que lida com o som... (1/3)
"Initial D: Third Stage" é o filme que melhor representa a proposta dos carros, animados em CGI, como um universo a parte, um mundo especial, daí a escolha da animação divergente do resto. Também é o mais abrangente no uso da mistura de elementos, sendo um marco importante. (1/2)
″My Voiceless Friends″, do Imai, é uma espécie de roadmovie fragmentado de luto. A busca irremediável do protagonista é tanto sua jornada de autopunição, por ser o único sobrevivente, quanto forma de lidar com o luto pela morte de seus colegas de batalhão. (1/5)
Esse fim de semana tem ficção-científica soviética no canal da CPC-Umes, dirigida por Dmitry Vassilev. De graça e com legendas direto do russo em cópia restaurada.
É bastante interessante como Folco Quilici filme ″Oceano″ quase que integralmente como se fosse um documentário. Apesar de ser uma grande aventura de sobrevivência e descoberta, se aproveitando de certo exotismo da retratação da Polinésia e outras culturas… (1/3)
Em ″Pépé le Moko″ fica bem evidente a habilidade singular de Duvivier de transitar entre os dois extremos do Realismo Poético, oscilar entre a beleza etérea e melancólica de Carné, por exemplo nos closes, cenas em silhuetas e contraluz, na faixa de luz que ilumina apenas os olhos… (1/3)
″Hokum″ pode não ser particularmente interessante em termos de narrativa ou elaborar um discurso de fôlego (longe disso, na verdade), mas Damiam McCarthy sabe encenar o terror, produzir cenas de ansiedade que utilizem a escuridão, o espaço longínquo, a distorção grotesca das formas… (1/2)
Esse fim de semana no canal da CPC-Umes tem "Os Orfãos", dirigido por Nikolai Gubenko, provavelmente mais famoso por seu papel como Fokin em "I Am Twenty" (um dos filmes inaugurais na Nouvelle Vague Soviética).
O díptico formado por ″L’Eden et Après″ e ″N a Pris les Dés″ é bastante interessante como espécie de síntese das propostas formais tanto do cinema de Robbe-Grillet no início dos anos 70 quanto dos desdobramentos do Nouveau Roman no cinema nessa nova década que se apresentava. (1/4)
"Kaitei 30,000 Mairu" é provavelmente um dos filmes mais dinâmicos da série inicial de filmes anuais da Toei Doga, não apenas por quão resumida e agilizada é a narrativa, mas também pela pluralidade de elementos fantasiosos e que dão vazão a ação e a aventura. (1/3)
Se por um lado o dispositivo tecnológico levemente experimental empregado por Hosoda em "Scarlet" resulta num de seus filmes mais interessantes em termos de textura, imagem e composição desde "Summer Wars", por outro lado este acaba por ser... (1/3)
Que as imagens de ″Lições da Escuridão″ são estupendas, não há muita dúvida. Ou que a forma como são exibidas no filme sugere tanto um vislumbre atroz da destruição quanto de certa primitividade do gênesis da humanidade. Ainda, a escolha de ambos as entrevistadas terem algum tipo de questão... (1/4)
A experiência de assistir "The Flying Luna Clipper", considerado por muitos (e com razão) a primeira animação majoritariamente realizada e finalizada num computador, oscila entre o fascínio e certa beleza (por vezes nostálgica) das imagens, com suas possibilidades técnicas… (1/3)